"TORGA - RETRATOS E PAISAGENS" - Exposição colectiva de pintura - itinerância com obras de Alberto Péssimo, Albuquerque Mendes, Benedita Kendall, Cristina Valadas, Evelina Oliveira, Graça Morais, Gracinda Marques, Henrique Silva, Isabel Padrão, Joana Rêgo, José Emídio, Luís Melo, Luísa Gonçalves, Teresa Gil (org.: ÁRVORE e Direcção Regional de Cultura do Norte) 07/12-31/12

Miguel Torga é um nome maior da literatura portuguesa e toda a actividade cultural que se possa realizar à volta da sua obra será sempre semente frutuosa.
Foi com enorme empenho e entusiasmo que a Árvore, a convite da Direcção Regional da Cultura do Norte do Ministério da Cultura, se envolveu no projecto – INTERREG (Projecto Inter-Regional da Direcção Regional da Cultura do Norte onde se incluem as mais diversas formas de manifestação artística e consequente divulgação cultural). Assim a cultura é mais uma vez causa de aproximação de regiões e de “abolição” de fronteiras.

A Árvore foi comissária e organizadora de todo o material de suporte à visibilidade e divulgação de uma exposição, com o tema proposto – TORGA – RETRATOS E PAISAGENS.

A abertura desta mostra realizou-se na Árvore, no dia 5 de Julho de 2007, onde esteve patente até ao dia 27 de Julho. Seguiu para o Teatro de Vila Real, de 12 a 31 de Agosto; Museu de Lamego, de 9 a 30 de Setembro; Biblioteca Pública de Zamora (Espanha), de 3 a 30 de Outubro; Centro Cultural de Bragança, de 7 a 30 de Novembro e por último para Biblioteca Municipal de Chaves, de 7 a 31 de Dezembro.

Foi igualmente da responsabilidade da Árvore a itinerância desta Exposição de Homenagem ao Centenário do Nascimento de Miguel Torga e sua montagem nos diversos locais.

Definiu-se o conceito de intervenção nesta exposição como emissária itinerante de um conjunto de obras de artistas portugueses contemporâneos, de gerações próximas mas diversas, que encontraram motivação na obra e personalidade de Miguel Torga.
A nosso convite os artistas realizaram duas telas, inspiradas num texto à sua escolha da autoria de Miguel Torga, de um mesmo formato e dimensão, que asseguram desta forma, a unidade visual do conjunto.

A Árvore agradece aos artistas que tão generosamente aceitaram participar neste projecto, de onde surgiram 28 telas (2 telas por artista) concretizadas por 14 artistas plásticos:
Alberto Péssimo, Albuquerque Mendes, Benedita Kendall, Cristina Valadas, Evelina Oliveira, Graça Morais, Gracinda Marques, Henrique Silva, Isabel Padrão, Joana Rêgo, José Emídio, Luís Melo, Luísa Gonçalves, Teresa Gil.

Do catálogo que acompanhou a exposição TORGA – RETRATOS E PAISAGENS faz parte a reprodução integral de todas as obras, acompanhadas dos excertos dos textos que serviram de mote aos artistas na execução das telas.

(…) A minha curiosidade é grande. Pergunto a mim própria, leitora atenta e apaixonada do escritor, de que cores se servirão esses artistas para nos darem a conhecer o Portugal que ele correu de lés-a-lés, ora de caçadeira ao ombro, ora simplesmente viajando para decifrar as linhas mágicas com que se cose uma Pátria, para entender como era possível sentir-se cada vez mais português mesmo amando e sentindo-se bem quer na Galiza, quer em Castela quer na Catalunha.
Viajante compulsivo, os seus olhos leram a realidade que o cercava com um alfabeto de emoção, de deslumbramento, mas também de crueza. Sítios houve que o marcaram profundamente e a que recorrentemente regressava para suavizar a dor que o feria. S. Martinho de Anta era um desses lugares.
E o seu Reino Maravilhoso? Haverá ainda tintas e matizes para lhe dar vida? E que texturas, que densidades podem dar forma ao transmontano de “antes quebrar que torcer”, homens de um só rosto, duros no aspecto ternos no coração, capazes de derrubar montanhas e simultaneamente de se enternecerem com “uma mãe que faz a trança à filha”?
Com que linhas e luzes, com que tonalidades darão os pintores ao Douro o sentido trágico da vida – tem tudo para ser grande mas teima em manter tristes e pobres os homens que lá trabalham.
(…) Neste ano de 2007, quando se celebra o centenário do seu nascimento, a exposição que resultará deste desafio lançado aos criadores, estou certa que constituirá um excelente momento de reflexão sobre a mensagem que Torga deixou mas sobretudo um momento de reflexão sobre Portugal e sobre cada um de nós.
in
catálogo da exposição, excerto do texto da autoria de Helena Gil (DRCN), Ed. Cooperativa Árvore, Junho 2007.

É de desejar e fazer cumprir este fluir entre culturas que se formaram nas margens próximas dos dois países, unidos por traços de semelhança e diferença, de quotidianos vividos na rudeza da paisagem, retrato de gente e bichos, que Miguel Torga tão bem soube perpetuar na sua obra.
Solidária com o propósito deste projecto, a Árvore no seu envolvimento, tudo fez para merecer e dignificar o convite que nos foi feito.