ÁLVARO SIZA - DESENHOS 14/02-22/03

A Árvore, a convite da Câmara Municipal de Coimbra, apresentou uma exposição de desenho de ÁLVARO SIZA, intitulada Desenhos, no Museu Municipal - Edifício do Chiado, em Coimbra, de 14 de Fevereiro a 22 de Março de 2008.

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- O desenho é uma invenção do olhar
- E do espaço. O desenho inventa o espaço, um espaço. Perante o espaço a vista foge-nos porque o espaço é ‘a perder de vista’. O espaço não é só aquilo que se vê, o visível. O espaço comporta também o invisível. E o desenho, que será portanto mais uma arte do espaço do que uma arte estritamente visual, aventura-se no escuro
- Os desenhos de Álvaro Siza, por exemplo. Não um exemplo entre outros, mas um exemplo exemplar. Não, em primeiro lugar, um exemplo para ser dado à imitação. O potencial de invenção em Siza é portador de uma fecundidade tão excepcional que se esgota em si mesmo, sem possibilidade de reprodução futura. Cada desenho é um caso que sucedeu, uma só vez, pela primeira e última vez. ‘Uma vez sem exemplo’
- São desenhos de épocas diferentes. Têm por detrás motivações diferentes. Uns feitos por puro divertimento, outros feitos em função da arquitectura. Mas todos eles guiados por um olhar atento mas não directo ou avassalador. Um olhar sesgado. Irónico e pro-vocador. Os olhos de Siza são olhos que vêem, que se aventuram no escuro. Atravessam a malha da realidade, deixam-se enredar nela e nem sempre ficam reféns
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catálogo da exposição, excerto do texto "Álvaro Siza: A Invenção do Olhar" da autoria de Nuno Higino